No jardim havia uma velha figueira de folhas grandes e galhos largos.
De dia, ela dava sombra às crianças, aos gatos e aos cestos de frutas. À noite, ficava sozinha com as estrelas.
Uma noite, Nino viu a Lua muito baixa, pálida e cansada.
“Você parece cansada”, disse.
A Lua sorriu. “Iluminei muitas janelas.”
A figueira mexeu as folhas.
“Venha descansar na minha sombra.”
Nino riu. “Mas é a Lua que dá luz! Como ela pode precisar de sombra?”
A Lua desceu um pouco, e as folhas da figueira fizeram ao redor dela uma sombra leve, quase transparente. A luz não desapareceu. Ficou mais suave.
O jardim respirou mais devagar.
Nino entendeu que até quem ilumina os outros pode precisar de descanso. Ele não disse mais nada. Sentou-se debaixo da árvore e ficou ali, simplesmente.
No dia seguinte, levou água para a figueira. Não fez discurso. Apenas despejou devagar perto das raízes.
A figueira não agradeceu com palavras. Deixou cair um figo maduro na grama.
Desde aquela noite, Nino reconhecia os cuidados silenciosos: uma cadeira aproximada, uma coberta puxada, um copo de água perto da cama, uma sombra oferecida sem pedir aplausos.
E quando a Lua parecia cansada, a figueira abria de novo suas folhas para ela.
