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A pereira que fazia perguntas

Num pomar noturno, uma pergunta pende de cada galho e ensina Pera que a curiosidade precisa de tempo.

Ilustração para A pereira que fazia perguntas

Num pomar noturno, as peras verdes pareciam pequenas lanternas dormindo.

Pera, a coruja, gostava de voar entre os galhos. Ela conhecia muitas respostas: onde dormiam os insetos, quando cantava o grilo, qual pedra guardava o calor do dia.

Mas a pereira nĂŁo dava respostas. Ela fazia perguntas crescerem.

De cada galho pendia uma pergunta brilhante.

Por que a noite Ă© macia?

Para onde vai o perfume das frutas maduras?

Os sonhos tĂȘm raĂ­zes?

Pera quis ler tudo de uma vez. As perguntas começaram a tremer.

“Não tão rápido”, disse a pereira. “Uma pergunta colhida cedo demais perde seu suco.”

EntĂŁo a coruja escolheu uma Ășnica pergunta e ficou com ela a noite toda.

Os sonhos tĂȘm raĂ­zes?

Pensou em ninhos, casas, lembranças e coisas que nos seguram mesmo quando voamos.

A pergunta nĂŁo deu uma resposta sĂł. Ela cresceu.

Desde aquela noite, Pera voltava a cada noite para uma Ășnica pergunta. Aprendeu que curiosidade nĂŁo Ă© encher uma cesta o mais depressa possĂ­vel. É deixar uma ideia amadurecer no galho.

E a pereira continuava carregando suas perguntas, paciente sob as estrelas.

Moral: As perguntas crescem bem quando recebem tempo.
Nota Montessori: Depois da leitura, convide a criança a nomear um gesto concreto da história e a ligå-lo, com calma, ao sentimento da noite.
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