Tina, a tartaruga, vivia perto de uma salina rosa, onde a ĂĄgua mudava de cor ao pĂŽr do sol.
Os flamingos passavam com suas pernas longas. O vento girava os moinhos ao longe. Tina caminhava devagar, como sempre.
Os pĂĄssaros jovens Ă s vezes riam.
âVocĂȘ chega amanhĂŁ!â
Tina nĂŁo respondia. Mas uma noite, a Lua acendeu diante dela um caminho de sal. Os cristais brilhavam como estrelinhas pousadas na terra.
Tina o seguiu.
A cada passo lento, aparecia uma cor: rosa claro, prata, violeta, laranja suave, azul-noite. Se andava depressa demais, as cores sumiam. Se parava, voltavam.
Os pĂĄssaros quiseram tentar. Correram pelo caminho, mas viram apenas um pouco de branco.
âComo vocĂȘ faz?â
Tina sorriu. âDou tempo para a paisagem se mostrar.â
Então caminharam com ela. Mais devagar. Viram o reflexo de uma nuvem numa poça, a sombra de um moinho, uma pena leve sobre o sal.
A salina pareceu maior que antes.
Desde aquela noite, ninguĂ©m zombou de Tina. Diziam: âVamos esperĂĄ-la. Ela sabe onde as cores se escondem.â
E a tartaruga continuava seu caminho, lenta, tranquila, rica de coisas vistas.
