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O barquinho das palavras doces

Num pequeno porto de barcos azuis, um barquinho sĂł parte quando recebe palavras gentis.

Ilustração para O barquinho das palavras doces

Num pequeno porto de barcos azuis flutuava um barquinho minĂșsculo.

Tinha um remo curto, uma corda amarela e uma vela dobrada como lenço. As crianças queriam fazĂȘ-lo partir, mas ele ficava parado.

“Vamos! Mexa-se!”, gritou Nino.

O barquinho se encostou no cais.

“Ele nĂŁo escuta”, disse alguĂ©m.

Mas o barquinho escutava muito bem. SĂł nĂŁo gostava de palavras que empurravam como rajadas de vento.

Marta se aproximou e falou de outro modo.

“Barquinho, vocĂȘ quer tentar conosco? Vamos devagar.”

A corda relaxou.

“Obrigada por perguntar”, murmurou o barco.

Então ele deslizou sobre a ågua. A cada palavra doce, avançava melhor: por favor, espere por mim, eu ajudo, não se preocupe. As palavras caíam no mar como estrelinhas e desenhavam um caminho.

Nino também tentou.

“Desculpe por ter gritado. VocĂȘ pode voltar para perto de mim?”

O barquinho voltou.

Desde esse dia, as crianças entenderam que as palavras não servem apenas para dizer coisas. Elas podem carregar, acalmar, abrir passagem.

E o barquinho sempre ia mais longe quando as vozes ficavam mais gentis.

Moral: As palavras doces sabem levar longe.
Nota Montessori: Depois da leitura, convide a criança a lembrar um gesto concreto da história e a ligå-lo, com calma, ao sentimento da noite.
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