Num vilarejo de casas claras existia um caminho de pedras mornas.
Durante todo o dia, as pedras guardavam o sol. À noite, quando o ar esfriava, devolviam lentamente seu calor.
Adele gostava de caminhar descalça sobre elas.
Uma noite, ficou mais tempo do que de costume na casa da tia. A ruela parecia escura e ela não via bem o caminho.
“Como vou encontrar casa?”
Uma pedra sob seu pé ficou quente.
Depois outra, um pouco mais adiante.
Adele entendeu. O caminho mostrava a direção não com uma grande luz, mas com pequenos rastros de calor.
Ela avançou devagar. Pedra morna, passo calmo. Pedra morna, respiração. Pedra morna, lembrança: aqui o vizinho rega as flores, aqui o gato dorme, aqui chega o cheiro de pão.
O vilarejo pareceu menos estranho. Cada pedra guardava um pedaço do dia, como se o sol tivesse deixado migalhas para as crianças da noite.
Quando Adele chegou à sua porta, a última pedra era a mais quente.
Sua mãe esperava.
Desde aquela noite, Adele soube que voltar para casa não é apenas encontrar um endereço. É reconhecer os sinais que nos acolhem: um calor, um cheiro, uma voz, uma luz atrás da janela.
E o caminho das pedras mornas continuou sendo seu amigo fiel.
