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O grilo e a canção de ninar da oliveira

Num antigo olival, um grilo encontra o ritmo certo escutando as folhas de uma velha oliveira.

Ilustração para O grilo e a canção de ninar da oliveira

Num antigo olival, um grilo chamado Cri queria cantar a mais bonita canção de ninar da noite.

Tentou rápido, depois devagar, depois muito alto. As folhas da oliveira tremeram.

“Ainda não”, murmurou a árvore.

Cri ficou ofendido. “Então qual é o ritmo certo?”

A oliveira não respondeu logo. Deixou o vento passar entre suas folhas prateadas. Shhh... pausa... shhh... pausa.

O grilo escutou. Ouviu também uma coruja longe no campo, uma azeitona caindo na grama, sua própria respiração pequena.

Então entendeu que a canção de ninar não era uma música para impor. Ela já estava escondida na noite.

Pousou as patas na terra e cantou com ela: cri... cri-cri... silêncio... cri.

O olival se acalmou. Até as pedras pareciam escutar.

Desde aquela noite, Cri não tentava mais vencer o silêncio. Sentava-se sob a oliveira, esperava o ritmo e cantava apenas o que queria nascer.

E as crianças do vilarejo adormeciam mais facilmente quando o vento levava sua pequena canção.

Moral: O ritmo certo nasce da escuta.
Nota Montessori: Depois da leitura, convide a criança a lembrar um gesto concreto da história e a ligá-lo, com calma, ao sentimento da noite.
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