Delfì, o golfinho, nadava num mar aberto onde a Lua desenhava caminhos de prata.
Todas as noites, quando as crianças dormiam, seus sonhos chegavam à água como pequenos barcos. Alguns avançavam rápido, outros giravam em círculos, outros hesitavam.
Delfì queria ajudar.
No começo, empurrava os barquinhos com o focinho.
“Vamos, vamos, por aqui!”
Mas os sonhos balançavam. Um perdeu a vela. Outro mudou de cor. Um terceiro voltou para a praia.
A Lua disse: “Você está empurrando demais.”
“Mas quero protegê-los.”
“Então nade perto. Não no lugar deles.”
Delfì tentou. Ficou ao lado do primeiro barquinho, deixando espaço para que ele escolhesse sua onda. Quando ele desviava para uma pedra, Delfì cantava baixinho. Quando tinha medo do escuro, fazia a água brilhar ao redor.
Os sonhos avançaram melhor.
Delfì entendeu que acompanhar é estar presente sem tomar o leme. É oferecer direção sem tirar a liberdade.
Desde aquela noite, nadava todas as noites ao lado dos pequenos barcos de sonho.
E pela manhã, as crianças acordavam com a sensação doce de terem sido guiadas sem serem forçadas.
