Num limoeiro perto do mar crescia um limão muito ambicioso.
Era amarelo, redondo e brilhante. Toda manhã olhava o sol nascer sobre a água e suspirava.
“Quero ser como ele.”
As folhas riam baixinho.
“Você já é um limão lindo.”
“Não basta. O sol ilumina tudo. Eu fico pendurado aqui.”
Então, todos os dias, o limão tentava brilhar mais. Guardava a luz, enchia suas bochechas amarelas, virava-se para o céu. Mas ficava cansado.
Uma noite, a Lua falou com ele.
“Por que você quer ser o sol?”
“Para ser útil. Para que todos me vejam.”
A Lua iluminou a cozinha da casa vizinha. Uma avó cortava um limão para preparar uma bebida morna ao neto gripado. O perfume encheu o quarto. A criança sorriu.
“Olhe”, disse a Lua.
Em outra casa, uma casca de limão perfumou um bolo. No porto, algumas gotas acordaram o sabor de um peixe grelhado. Num jardim, uma casca protegeu uma plantinha delicada das formigas.
O limão ficou em silêncio.
Ele não podia iluminar o mundo como o sol. Mas podia oferecer frescor, perfume, cuidado e sabor.
De manhã, não quis mais ser outra coisa. Ficou na árvore, amarelo e orgulhoso, esperando o momento de oferecer sua luz do seu jeito.
E o sol, ao nascer, pareceu piscar para ele.
