Num pomar luminoso crescia um jovem pessegueiro.
Na primavera, cobriu-se de flores cor-de-rosa e se sentiu muito importante.
“Logo terei os melhores frutos do jardim!”
As abelhas chegaram, zumbindo e ocupadas.
“Devagar”, disseram.
O pessegueiro sacudiu as flores. “Quero pêssegos agora.”
As abelhas não se zangaram. Passaram de flor em flor, leves, atentas, cobertas de pó dourado.
“Nós sabemos ouvir o que começa”, explicou uma delas.
O pessegueiro tentou escutar. No início, ouviu apenas bzzz. Depois percebeu outra coisa: o tremor de uma flor pronta, o cansaço de um galho, a sede das raízes, a promessa minúscula de um fruto.
As semanas passaram. As flores caíram, e pequenas bolinhas verdes apareceram.
“Ainda não são pêssegos”, suspirou a árvore.
“Não”, disseram as abelhas. “Mas estão a caminho.”
O pessegueiro aprendeu a amar também o que não está pronto.
No verão, seus frutos ficaram doces e perfumados. Uma criança colheu um e sorriu.
O pessegueiro pensou nas abelhas. Elas lhe ensinaram que crescer não é correr para amadurecer. É escutar, dia após dia, os sinais discretos da vida.
