Em os figos-da-índia ao lado das pedras de um templo antigo, a tarde descia devagar, com cheiro de sal no ar e cores quentinhas nas paredes. Fina conhecia bem aquela hora: as casas ficavam quietas, as janelas pareciam pequenas lâmpadas e o mar falava mais baixo do que durante o dia.
Naquela noite, porém, alguma coisa não estava fácil. Ela queria levar para casa tudo que brilhava, para ninguém perder. Não era um sentimento enorme, mas era verdadeiro; e, numa história de dormir, até um sentimento pequeno merece uma cadeira, uma coberta e um pouco de paciência.
Então a noite ofereceu seu segredo gentil: ao entardecer, os frutos se abriram como lanterninhas cor-de-rosa, cada uma guardando uma estrela. Ele não chegou fazendo barulho. Chegou como um sussurro, como se a Sicília inteira baixasse a voz para uma criança entender.
Fina não correu. Primeiro veio uma respiração, depois um olhar, depois uma escolha cuidadosa. Fina esticou a mão, mas parou ao ver as estrelas enfraquecerem. Sentou numa pedra e chamou a avó para olhar com ela. Não era preciso conquistar nada; era preciso perceber.
Pouco a pouco, o problema mudou de forma. Não desapareceu de repente, mas ficou menor, mais conhecido, quase amigo. A lua continuava sobre os telhados, o ar tinha cheiro de folhas e mar, e a pequena magia acompanhava o ritmo de um coração tranquilo.
As estrelas brilharam mais porque foram compartilhadas pelos olhos, não tomadas pelas mãos. Fina voltou para casa com os bolsos vazios e o coração cheio.
E quando o sono finalmente chegou, não caiu de uma vez. Veio macio, como um lençol quentinho puxado com cuidado.
Ritual de leitura: Leia devagar, deixando alguns segundos de silêncio entre uma cena e outra.
